A Justiça de Pernambuco revogou, nesta terça-feira (21), a prisão domiciliar do padre Airton Freire, investigado por acusações de estupro. A decisão determina sua liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares.
A decisão foi proferida pelo juiz Guilherme Oliveira da Silva Gonçalves, que entendeu haver excesso de prazo na instrução processual. O padre estava em prisão domiciliar desde julho de 2023, após prisão preventiva no âmbito das investigações.
A revogação ocorre cerca de quatro meses depois de Airton ser absolvido em uma das ações penais que responde. Para o magistrado, a demora no processo não pode ser atribuída à defesa. O padre permaneceu sob medida cautelar por aproximadamente dois anos e 11 meses sem descumprir nenhuma condição imposta pela Justiça.
Segundo o juiz, mesmo com a instrução ainda em curso, manter a prisão preventiva deixou de ser proporcional ao estágio atual do processo. Entre os motivos citados estão a complexidade da ação, a ausência de testemunhas da acusação em audiências e a necessidade de repetir um depoimento, fatores que provocaram adiamentos não atribuíveis aos réus.
Com a decisão, Airton deixa a prisão domiciliar, mas continua sujeito a restrições. Ele está proibido de manter contato com a denunciante, de exercer atividades religiosas e de fazer publicações sobre o processo nas redes sociais. O sacerdote também permanece com as funções eclesiásticas suspensas e privado do uso de ordem pela Diocese de Pesqueira.
A advogada Mariana Carvalho, da defesa do religioso, afirmou que a manutenção da prisão já não se justificava, destacando que a situação ficou mais clara após a primeira absolvição, em março. A defesa informou que seguirá buscando a absolvição do padre nas ações ainda em andamento.
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