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Eleições 2026: João Campos e Raquel Lyra disputam tempo de propaganda no guia eleitoral

O período de convenções partidárias esconde uma disputa estratégica pelo guia eleitoral entre as campanhas da governadora e pré-candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e do pré-candidato da oposição João Campos (PSB), em Pernambuco. O tempo de propaganda é considerado um ativo importante na corrida às urnas, e o apoio de partidos políticos é o principal alvo das negociações.

O cálculo do tempo eleitoral tem como base o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. Pela legislação, 90% do tempo é distribuído proporcionalmente ao número de representantes na Câmara, e os outros 10% são divididos igualmente entre os candidatos dos partidos que superaram a cláusula de barreira.

Tempo de propaganda

A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, terá o maior tempo de propaganda do estado. O bloco está na base da governadora, mas vive uma disputa interna pela vaga ao Senado. Segundo levantamento do G1, a federação deve ter 2 minutos, 28 segundos e 19 centésimos, o equivalente a 20,78% do tempo total do guia eleitoral.

Sem contar com essa aliança, Raquel Lyra tem os apoios da Federação PSDB-Cidadania (31 segundos e 72 centésimos), Podemos (27 segundos e 77 centésimos) e Avante (13 segundos e 21 centésimos). Somado ao PSD, partido da governadora (59 segundos e 54 centésimos), a campanha de reeleição soma 2 minutos, 12 segundos e 24 centésimos do total de 12 minutos e 30 segundos de propaganda eleitoral.

Nesse cenário, João Campos tem vantagem em relação ao tempo de Raquel Lyra. Ele conta atualmente com o apoio da Federação PT-PCdoB-PV (1 minuto, 59 segundos e 5 centésimos), MDB (59 segundos e 54 centésimos), Republicanos (56 segundos e 89 centésimos), PDT (26 segundos e 42 centésimos), PSB (23 segundos e 78 centésimos) e da Federação PRD-Solidariedade (22 segundos e 48 centésimos). No total, o pré-candidato do PSB teria garantidos 5 minutos, 8 segundos e 16 centésimos para apresentar suas propostas.

O PL, segundo maior tempo de propaganda do estado (2 minutos, 14 segundos e 98 centésimos), não tem pré-candidato ao governo nem apoia oficialmente nenhum dos dois postulantes. Já a Federação PSOL-REDE terá o ex-vereador Ivan Moraes (PSOL) como candidato, com 23 segundos e 78 centésimos de tempo de propaganda.

Disputa por equilíbrio

O apoio da União Progressista é considerado estratégico para equilibrar a disputa. Caso o bloco se mantenha na coligação governista, Raquel Lyra passaria a ter 4 minutos, 50 segundos e 33 centésimos de propaganda, equiparando a disputa pelo tempo de tela com João Campos.

A necessidade de reforçar apoios na base da governadora ficou mais evidente depois que seu adversário reverteu uma aliança para a Frente Popular. Na última terça-feira, João Campos reconquistou o apoio da Federação Renovação Solidária, formada pelo Solidariedade e pelo PRD, que antes estava com Raquel Lyra.

O impasse que ameaça a aliança governista está na escolha dos pré-candidatos ao Senado dentro da coligação. A federação tem as pré-candidaturas dos presidentes estaduais do União Brasil, Miguel Coelho, e da Federação União Progressista, Eduardo da Fonte (PP). Raquel Lyra já demonstrou, nos bastidores, preferência por Miguel Coelho, mas Eduardo da Fonte comanda a federação e tem a maioria da direção da sigla.

Análise

O cientista político Isaac Luna avalia que as redes sociais reduziram o peso da propaganda partidária tradicional, mas destaca que a televisão continua relevante no processo eleitoral. Segundo ele, o veículo ainda é um dos principais meios de informação e entretenimento da população, mesmo sem o protagonismo absoluto de décadas anteriores.

Luna pondera que a vantagem da propaganda não é mais decisiva como antes, já que candidatos sem grande espaço na TV podem recorrer a outros meios, como as redes sociais. Ele destaca ainda a importância do rádio, especialmente no interior e nas zonas rurais.

Para o especialista, o apoio partidário vai além do tempo de propaganda. Segundo ele, atrair novos partidos para a base também representa acesso ao fundo eleitoral da legenda e à estrutura de vereadores dos municípios, ampliando o alcance da campanha.

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