A pesquisa Genial/Quaest de julho, que colocou a governadora Raquel Lyra (PSD) na frente de João Campos (PSB) pela primeira vez na série histórica do instituto, trouxe também números que contradizem o discurso do pré-candidato socialista sobre um suposto potencial de crescimento a partir da associação com o presidente Lula (PT).
Em entrevista após a divulgação do levantamento, João Campos minimizou a vantagem numérica de Raquel e classificou o cenário como de “completo equilíbrio”. Ele atribuiu a distância a uma desconexão de parte do eleitorado com sua imagem como candidato apoiado por Lula, afirmando que mais de 50% dos eleitores não sabem que o presidente o apoia e que 47% das pessoas querem alguém aliado de Lula para governar o estado. Para o socialista, o início oficial da propaganda eleitoral deve reverter esse cenário.
No entanto, os próprios dados da Quaest indicam o oposto do que João projeta. Entre os eleitores lulistas, Raquel Lyra cresceu 4 pontos percentuais desde abril, passando de 30% para 34% das intenções de voto na simulação de segundo turno. Já entre a esquerda não lulista, o avanço foi ainda mais expressivo: 20 pontos percentuais, de 21% para 41%. No mesmo período, João Campos recuou nesse segmento, saindo de 63% para 48% das intenções de voto.
A pesquisa também mostra melhora na avaliação de Raquel entre o eleitorado lulista, que subiu de 46% para 58% de aprovação, e entre a esquerda não lulista, que aprova sua gestão em 63%. Ou seja, exatamente nos grupos em que João Campos aposta para crescer, os números indicam avanço da governadora, e não do adversário.
Ainda segundo o levantamento, 44% dos entrevistados identificam João Campos como o candidato de Lula, contra apenas 8% que apontam Raquel Lyra nesse papel. Mas, mesmo com essa vantagem simbólica junto à imagem do presidente, os dados mostram que ela não vem se convertendo, até aqui, em crescimento de voto para o pré-candidato do PSB — pelo contrário, o espaço que ele projeta conquistar tem sido ocupado por Raquel.
Durante a entrevista, João Campos também criticou a gestão estadual, associando métodos da equipe governista a práticas bolsonaristas, e comparou o volume de obras realizadas por ele na prefeitura do Recife com as entregas do Governo do Estado.
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