A Presidência da República desembolsou R$ 255,3 milhões em publicidade no primeiro semestre de 2026. Segundo o Estadão, é o maior valor gasto com esse propósito para o período em pelo menos 17 anos.
A publicidade institucional é instrumento legítimo do Estado quando serve para informar o cidadão sobre serviços, direitos e campanhas de interesse público. O debate surge quando o volume de gastos cresce de forma recorde às vésperas de uma eleição, o que reabre a discussão sobre os limites entre comunicação de Estado e promoção do governo de turno.
Entre as campanhas realizadas, a maior campanha temática foi a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, medida que também é apontada como uma das principais bandeiras eleitorais do governo para 2026.
A comparação com outras áreas do governo chama atenção: enquanto a Presidência gastou R$ 255,3 milhões em publicidade apenas no primeiro semestre, o Ministério das Mulheres executou R$ 118,3 milhões em todo o ano passado.
O uso da máquina de comunicação do Estado por presidentes de diferentes partidos não é um fenômeno novo. A discussão atual está concentrada nos limites legais que regulam esses gastos. Até 2022, a legislação restringia as despesas efetivamente realizadas com propaganda oficial em anos eleitorais. Após mudança no Congresso, passou a limitar apenas os empenhos — ou seja, o compromisso de gasto, e não necessariamente a publicidade que chega ao cidadão.
Especialistas ouvidos pela reportagem defendem que o parâmetro ideal seria o pagamento ou a liquidação das campanhas, já que reflete a publicidade efetivamente veiculada, e não apenas a autorizada.
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