O avanço de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) tem ampliado os desafios da segurança pública no Brasil. Além do tráfico de drogas, esses grupos expandiram sua atuação para lavagem de dinheiro, infiltração em setores da economia e disputa por territórios em diversas regiões do país.
Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, o PCC movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano e mantém uma estrutura organizada, com atuação em vários estados e no exterior. Já o Comando Vermelho fortalece o controle sobre comunidades, amplia sua presença na Amazônia e também é apontado como envolvido em crimes ambientais, como garimpo ilegal e grilagem de terras.
Para investigadores e integrantes do Ministério Público, o combate às facções exige mais do que operações policiais e apreensões de drogas. A principal estratégia deve ser atingir as fontes de financiamento das organizações, com investigações financeiras, rastreamento de recursos e maior integração entre polícias, Ministério Público, Coaf, Banco Central, ANP, Anatel e outros órgãos de fiscalização.
Especialistas também defendem o uso de inteligência artificial para identificar movimentações financeiras suspeitas e reforçar o compartilhamento de informações entre as forças de segurança. A avaliação é de que o governo federal deve coordenar políticas nacionais de combate ao crime organizado, fortalecendo a atuação dos estados sem substituir suas competências.
