A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, Jair Bolsonaro, tem gerado críticas internas no STF. Moraes considerou que Flávio descumpriu decisão judicial que proíbe postagens em redes sociais e caracterizou desvio de finalidade do direito de visita, além de apontar reincidência, já que conduta semelhante ocorreu em agosto de 2025.
Ouvido em reserva, um ministro do STF avaliou que Flávio e Jair não são candidatos a nada — o senador é apenas pré-candidato, e o ex-presidente está inelegível — o que, para o magistrado, afastaria a tese de propaganda eleitoral antecipada usada por Moraes.
Já uma ala próxima ao presidente Lula considera que o problema está na fundamentação: para esses interlocutores, seria mais sólido vetar o contato com base no envolvimento de Flávio no Caso Master, sob suspeita de buscar benefícios para um filme sobre o pai, o que tornaria incompatível a comunicação entre investigado e beneficiário. Há ainda receio, no Planalto, de que a decisão alimente discurso de vitimismo em Flávio, que só poderá voltar a ver o pai em 11 de outubro, uma semana após o primeiro turno das eleições.
Além da suspensão das visitas, Moraes deu 48 horas para a defesa de Jair esclarecer se ele sabia que a carta seria divulgada e encaminhou o caso ao Ministério Público Eleitoral para apurar possível propaganda antecipada.
