Três frentes distintas de investigação da Polícia Federal, reveladas nos últimos dias, convergem para um mesmo nome: a lobista Roberta Luchsinger, apontada pelas autoridades como peça de ligação entre empresários, um esquema de tráfico de influência e o entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incluindo seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Caso 1: pagamentos ligados a contratos com a Dataprev
A primeira investigação aponta que Lulinha é citado em diálogos obtidos pela PF como destinatário de pagamentos e benefícios custeados por um empresário que buscava contratos com a Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal. Segundo a apuração, o empresário, identificado como Cléber Ribas, já possuía contratos milionários com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
De acordo com a PF, as informações vieram da quebra de sigilo de Roberta Luchsinger, contratada por Cléber Ribas para intermediar os interesses de suas empresas de tecnologia junto a órgãos públicos federais e de outras esferas. Nas conversas, Roberta teria solicitado pagamentos a Cléber Ribas, associando os valores a despesas de Lulinha. As defesas dos envolvidos ainda não se manifestaram sobre o caso.
Caso 2: negociações de canabidiol e o “Careca do INSS”
Na segunda frente, a PF afirma que a participação de Lulinha em negociações para a compra de canabidiol pelo governo federal foi deliberadamente encoberta por Roberta Luchsinger e pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A investigação apura suposto tráfico de influência de Lulinha para viabilizar o acesso da empresária, amiga dele, à gestão do próprio pai. Segundo relatório da PF, os investigados demonstravam preocupação reiterada em ocultar a participação do filho do presidente nas tratativas.
A defesa de Lulinha informou confiar nas instâncias de apuração e afirmou que só vai se manifestar nos autos após ter acesso integral aos dados obtidos com as quebras de sigilo.
Caso 3: cobrança sobre acesso à Petrobras
A terceira investigação, também baseada em mensagens obtidas pela PF, mostra Roberta Luchsinger cobrando o então chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, sobre dificuldades de acesso à Petrobras.
Em uma das mensagens, Roberta relata que um contato identificado como “Leo” estava insatisfeito por não ter sido recebido por uma pessoa identificada como “Magda”, alertando que, caso o impasse não fosse resolvido, a relação poderia ser interrompida. A Petrobras informou que o presidente da estatal nunca recebeu as pessoas citadas nas mensagens. As defesas de Roberta e de Marcola não deram retorno até o momento.
O que os três casos têm em comum
Nos três episódios, Roberta Luchsinger aparece como intermediária entre interesses privados e órgãos ou autoridades ligadas ao governo federal, com menções recorrentes a Lulinha como beneficiário ou como figura cuja participação deveria ser mantida em sigilo. As investigações seguem em andamento, e nenhum dos envolvidos foi condenado até o momento.
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