O bispo da Diocese de Afogados da Ingazeira (PE), Dom Limacêdo Antônio da Silva, de 65 anos, tornou-se alvo de críticas de uma ala católica mais ligada à direita após realizar, no fim de semana passado, uma caravana pela democracia no Sertão do estado.
O ato inter-religioso reuniu, além da Igreja Católica, diversas entidades civis e movimentos populares, com centenas de participantes. Nas redes sociais da diocese, internautas reclamaram do que classificaram como desvirtuamento do propósito eclesial e chamaram o bispo de “militante de esquerda”.
Nomeado para o cargo pelo Papa Francisco em outubro de 2023, Dom Limacêdo minimizou as críticas, afirmando que elas fazem parte da mesma democracia que defende. Ao mesmo tempo, disse que a igreja precisa atuar como formadora de consciência, argumentando que a ignorância interessa apenas a regimes autoritários.
O bispo também defendeu a necessidade de regulação das redes sociais, afirmando que é preciso haver regras e leis diante dos abusos cometidos no ambiente digital. Segundo ele, a fé cristã trata também de questões terrenas, como fome, justiça e desigualdade, e não deve se restringir a uma dimensão apenas espiritual.
Essa não é a primeira vez que o religioso é alvo de ataques. Em dezembro do ano passado, Dom Limacêdo já havia sido criticado após usar a homilia da missa de Natal para condenar os atos de vandalismo de 8 de Janeiro, os acampamentos em frente a quartéis e os questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas. Na ocasião, as falas do bispo circularam entre perfis bolsonaristas nas redes sociais, mas ele também recebeu apoio de outros bispos e entidades religiosas.
*Com informações de Carlos Madeiro, do UOL.
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