A Polícia Federal (PF) concluiu um novo inquérito sobre o esquema de desvios em aposentadorias envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e indiciou seis pessoas pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema de informações e organização criminosa.
Entre os indiciados está o ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras, irmão do deputado federal Carlos Veras. Também foram indiciadas duas ex-dirigentes da entidade: Edjane Rodrigues, ex-secretária de Políticas Sociais, e Thaísa Daiane, ex-secretária-geral. Até a publicação desta matéria, os citados não haviam se manifestado.
O inquérito também resultou no indiciamento do ex-presidente do INSS, Alessandro Stetanutto, do ex-procurador-geral do órgão, Virgilio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho, e do ex-diretor de Benefícios, André Paulo Félix Fidelis.
Segundo as investigações, a Contag arrecadou cerca de R$ 3,4 bilhões em descontos sobre aposentadorias entre 2016 e 2025. A entidade teria continuado recebendo recursos mesmo após o INSS ser alertado sobre suspeitas de irregularidades, conforme já havia sido revelado anteriormente pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Os seis investigados já haviam sido indiciados na primeira fase da Operação Sem Desconto, que apura o esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
O relatório final da Polícia Federal foi encaminhado nesta semana ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. As conclusões serão analisadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou requer o arquivamento do caso.
O indiciamento representa a conclusão da investigação policial e não configura condenação. A eventual responsabilização criminal dependerá das próximas etapas do processo judicial.
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