A preocupação com a violência aumentou na Bahia e no Ceará, dois dos estados mais populosos administrados pelo PT. Segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada na última semana, o avanço da segurança pública como principal problema ocorre em meio a disputas eleitorais apertadas nos dois estados.
No Ceará, 53% dos entrevistados apontam a violência como o principal problema. O índice cresceu sete pontos em relação à pesquisa realizada em abril. Na Bahia, 42% citam o tema, alta de seis pontos no mesmo período. A margem de erro é de três pontos percentuais.
No Rio de Janeiro, a violência aparece com o maior percentual entre os estados pesquisados: 60%.
Apesar da preocupação com a segurança, os governadores petistas mantêm índices relevantes de aprovação. Jerônimo Rodrigues, na Bahia, é aprovado por 57% dos entrevistados. Elmano de Freitas, no Ceará, tem 52% de aprovação.
Os índices, porém, não se repetem nas intenções de voto. Na Bahia, Jerônimo aparece com 39%, em empate técnico com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, que registra 38% na simulação de primeiro turno.
No Ceará, o ex-governador Ciro Gomes aparece com 43%, enquanto Elmano de Freitas registra 33%.
O cenário também representa um desafio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi oficializado como candidato à reeleição. A segurança pública deve estar entre os principais temas da disputa presidencial, e adversários pretendem associar os problemas registrados nos estados governados pelo PT ao partido.
Lula mantém desempenho forte na Bahia e no Ceará. Nas pesquisas citadas, o presidente supera 50% das intenções de voto nos dois estados no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) aparece na faixa dos 20%. Em simulações de segundo turno, Lula registra mais que o dobro das intenções atribuídas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PT aposta na força de Lula no Nordeste para fortalecer as candidaturas de Jerônimo e Elmano. O presidente participou das convenções estaduais do partido no último fim de semana e declarou apoio aos dois governadores.
Na Bahia, Lula chegou a dizer que, se fosse necessário, transferiria seu título eleitoral para votar em Jerônimo.
A oposição, por outro lado, pretende explorar a segurança pública. Na Bahia, Flávio Bolsonaro tem utilizado o tema em sua pré-campanha. O PL apoia ACM Neto na disputa estadual, mas o ex-prefeito de Salvador busca manter uma postura de neutralidade na eleição presidencial.
No Ceará, Ciro Gomes também conta com apoio do PL e se aproximou de nomes ligados ao bolsonarismo. Segundo análise do diretor da Quaest, Felipe Nunes, Ciro apresenta vantagem entre eleitores de direita e bolsonaristas, enquanto Elmano lidera entre lulistas e eleitores de esquerda.
Outro dado citado pela pesquisa favorece os governadores: 45% dos entrevistados no Ceará e 47% na Bahia afirmam que gostariam de eleger um governador aliado de Lula. Em ambos os estados, menos de 20% preferem um governador associado a Bolsonaro.
Mais da metade dos entrevistados nos dois estados também considera que os atuais governadores merecem um segundo mandato.
Segurança pública
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública reforçam o peso do tema. Entre os dez municípios mais violentos do país, oito estão na Bahia e no Ceará: cinco no estado baiano e três no cearense.
O município de Maranguape, no Ceará, registrou a maior taxa de homicídios do país em 2025, segundo o levantamento citado.
Os próprios governadores têm ampliado o discurso de combate às organizações criminosas. No Ceará, o governo afirma ter registrado redução de 40% nos homicídios no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
Elmano defende uma atuação mais dura contra criminosos e afirma que os dados de 2026 devem ser considerados na avaliação da segurança pública.
Na Bahia, Jerônimo também tem defendido o fortalecimento das forças de segurança. O estado, segundo os dados citados na reportagem, vem registrando níveis elevados de letalidade policial.
O aumento da preocupação com a violência, portanto, se tornou um dos principais desafios eleitorais para os governos do PT na Bahia e no Ceará e pode também ampliar a pressão sobre Lula durante a campanha presidencial.
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