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TCU barra gastos da Transnordestina — e o Nordeste segue esperando uma ferrovia que virou promessa eterna

O Tribunal de Contas da União determinou que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. suspendam novos compromissos financeiros relacionados à retomada das obras do trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina até que seja comprovada a viabilidade socioeconômica do empreendimento. A decisão foi do ministro Jhonatan de Jesus, em sessão plenária.

A auditoria do TCU apontou ausência de estudos atualizados suficientes para comprovar que os benefícios sociais superam os custos. Também foram identificados entraves socioambientais, fundiários e operacionais, além de indefinições de traçado em alguns trechos. A Infra S.A. tem 30 dias para apresentar um plano de ação com prazos e responsáveis.

O que o TCU não precisou dizer — mas a história já conta

A Transnordestina não é apenas uma obra parada. É um símbolo perfeito da política brasileira: prometida, relicitada, reinaugurada em pedaços, fotografada com capacete e colete, e nunca entregue.

O projeto foi concebido ainda nos anos 1990. Virou bandeira de campanha de governadores e presidentes de todos os espectros. Lula prometeu. Dilma prometeu. Bolsonaro prometeu. Lula prometeu de novo. Em 2023, o governo do estado até comemorou a previsão de R$ 91,9 bilhões do Novo PAC para concluir o ramal Salgueiro-Suape — como se a promessa de dinheiro federal já fosse obra feita.

Enquanto isso, o Sertão segue sem trilho. Sem escoamento agrícola barato. Sem a redução de frete que transformaria a competitividade do interior. Sem os empregos prometidos. Com estradas esburacadas carregando o que deveria ir por ferrovia.

A decisão do TCU não é surpresa. É o reflexo inevitável de décadas de gestão sem planejamento sério, onde estudo de viabilidade é peça de retórica e não ferramenta de decisão. Uma ferrovia que não sabe se vai custar mais do que vai render não é infraestrutura — é marketing de campanha com trilhos.

O povo do Nordeste não precisa de mais fotografia em canteiro de obras. Precisa de uma ferrovia que funcione. E isso, até hoje, ninguém entregou.

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