Reportagem exclusiva do jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), assinada por David Friedlander e Eliane Cantanhêde, revelou que o ministro do STF Alexandre de Moraes telefonou seis vezes no mesmo dia para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O objetivo foi tratar da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Ao todo, segundo a apuração, houve ao menos cinco conversas, sendo uma presencial.
As ligações ocorreram durante a análise do negócio, que poderia evitar a liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. O banco foi liquidado pelo BC em 18 de novembro, sob suspeita de fraudes de R$ 12,2 bilhões. A intensidade dos contatos indica pressão sobre o BC, que estava dividido internamente sobre aprovar ou não a operação.
As revelações contradizem notas divulgadas por Moraes e pelo Banco Central em 23 de dezembro. Ambos afirmaram que os contatos trataram da Lei Magnitsky, que havia imposto sanções ao ministro. O Estadão destaca que nenhuma das notas oficiais cita o Banco Master, apesar das conversas sobre a venda.
O caso ganhou mais peso porque a esposa de Moraes, Viviani Barci, mantinha contrato com o Banco Master. O acordo previa R$ 3,6 milhões por mês, podendo chegar a R$ 129 milhões até 2027, e foi encerrado com a liquidação do banco. Diante disso, o senador Alessandro Vieira anunciou a coleta de assinaturas para uma CPI para investigar possível advocacia administrativa.
