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Álvaro Porto amplia influência na Alepe e redesenha forças na CPI contra Raquel Lyra

Na cena política de Pernambuco, as últimas articulações do presidente da Alepe, Álvaro Porto, deixam evidente um jogo de força que ultrapassa a mera troca de legendas. A ida de Diogo Moraes para o PSDB, com aval do PSB, e sua chegada já assumindo a liderança tucana, não apenas redesenha a correlação de forças dentro da Casa, mas também mexe diretamente na balança da CPI da publicidade. O cálculo é simples: ampliar a presença oposicionista e enfraquecer a governadora Raquel Lyra no colegiado.

Ao mesmo tempo, a movimentação de Waldemar Borges rumo ao MDB reforça a capacidade de Porto em articular movimentos cirúrgicos que ampliam o seu raio de influência. O detalhe é que, ao deslocar o PSDB do chamado “blocão governista”, o presidente da Assembleia rompe um arranjo que vinha garantindo sustentação a Raquel, transformando aliados ocasionais em peças-chave da oposição. Assim, a disputa extrapola a composição da CPI e projeta reflexos na base da própria governadora.

No fundo, o que se observa é a construção de um contra-ataque político. Porto usa a filiação de Diogo e a reacomodação de Borges para costurar uma maioria mínima, mas suficiente, para desequilibrar a CPI e colocar o governo em posição defensiva. Trata-se de uma estratégia de desgaste que, mais do que investigar supostas milícias digitais, sinaliza o início de uma nova fase na Alepe, em que os movimentos internos e trocas partidárias se tornam armas centrais no tabuleiro político estadual.

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