Em um movimento sem precedentes, o governo federal retirou 855 mil famílias do Bolsa Família entre junho e julho deste ano, promovendo o maior enxugamento mensal da história do programa. A redução chama atenção pelo volume e pelo momento, já que historicamente o saldo mensal de beneficiários costuma oscilar de forma quase estável, com saídas e entradas equilibradas. Desta vez, a balança pendeu drasticamente para a exclusão.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, o corte seria reflexo de famílias que teriam superado a linha de renda exigida. Mas especialistas e parlamentares apontam que um pente-fino tão expressivo dificilmente se deve apenas à melhoria socioeconômica da população. A hipótese mais provável é de um bloqueio em massa por suspeita de cadastros irregulares ou pendências não resolvidas.
Desde o início do atual governo, o Bolsa Família já acumula uma queda de mais de 2,3 milhões de beneficiários. A marca de 19,6 milhões de famílias atendidas, embora ainda expressiva, levanta questionamentos sobre a condução da política social em meio à crise econômica persistente. A ausência de transparência detalhada sobre os critérios usados na exclusão reacende o debate sobre justiça social e responsabilidade administrativa.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social / Dados oficiais do Governo Federal