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Raquel Lyra tem mais prefeitos, João Campos tem mais tempo de TV; conheça as estruturas dos candidatos ao Governo de Pernambuco

Encerradas as convenções partidárias, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) chegam oficialmente à campanha para as eleições em Pernambuco sustentados por estruturas políticas distintas. A governadora, que disputa a reeleição, construiu uma ampla rede de apoios municipais ao longo do mandato, enquanto o ex-prefeito do Recife reuniu uma frente partidária maior e terá mais espaço para apresentar sua candidatura no horário eleitoral gratuito.

Raquel com apoio de 79% dos prefeitos

Levantamento do Jornal do Commercio mostra que Raquel conta atualmente com o apoio de 145 dos 184 prefeitos pernambucanos, enquanto 39 estão no campo de João. A vantagem foi construída especialmente após as eleições municipais de 2024, quando a governadora ampliou a interlocução com gestores de diferentes campos políticos.

Para a cientista política Priscila Lapa, a presença dessas lideranças continua sendo relevante em eleições estaduais por permitir o chamado “voto de estrutura”, já que prefeitos funcionam como ponte entre obras e investimentos locais e a candidatura estadual.

João, apesar de ter menos prefeitos, também construiu bases municipais durante as eleições de 2024, quando ainda comandava a Prefeitura do Recife, apoiando candidatos em diferentes cidades, segundo a análise da cientista política.

João leva vantagem no horário eleitoral

Segundo cálculo do JC, João terá aproximadamente 4 minutos e 32 segundos em cada bloco de rádio e TV, contra 3 minutos e 51 segundos de Raquel — diferença de cerca de 41 segundos. Ivan Moraes (PSOL) terá cerca de 36 segundos; os demais candidatos não terão tempo no guia eleitoral.

A diferença decorre do tamanho das bancadas federais dos partidos de cada coligação: a Frente Popular de João soma 206 deputados federais eleitos em 2022, contra 173 da Pernambuco de Coração, de Raquel.

Segundo Priscila Lapa, a vantagem no tempo de TV não garante vantagem eleitoral automática, já que o conteúdo do guia hoje se mistura com redes sociais e outros canais de comunicação.

Composição dos palanques

A Frente Popular de João reúne PSB, Republicanos, Federação Brasil da Esperança (PT, PV, PCdoB), PDT, MDB, Federação Renovação Solidária (Solidariedade e PRD), DC e Mobiliza. Na chapa, João tem Carlos Costa (Republicanos) como vice e Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) disputando o Senado.

Já a Pernambuco de Coração, de Raquel, é formada por PSD, Federação União Progressista (PP e União Brasil), Podemos e Avante. Priscila Krause (PSD) segue na vice, enquanto Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD) disputam o Senado.

A estrutura de apoio de Raquel ultrapassa os limites da coligação oficial: o PL declarou neutralidade na disputa ao Governo, mas Mendonça Filho, candidato da sigla ao Senado, apoia a reeleição da governadora. O Novo também apoia Raquel, sem integrar a coligação. Já a Federação PSDB/Cidadania ficou dividida: o PSDB apoia Raquel, e o Cidadania está com João.

Bancada federal dividida

Diferente da vantagem municipal de Raquel, a bancada federal pernambucana está praticamente dividida: 12 dos 25 deputados estão no campo de João, e 11 no de Raquel. Os outros dois são do PL, partido neutro na disputa ao Governo.

João aposta em Lula; Raquel preserva parceria com o governo federal

Outra diferença entre os palanques está na relação com o presidente Lula. Na Frente Popular, o apoio do petista é elemento central de unidade política, com Humberto Costa e Marília Arraes associando suas candidaturas à ampliação da base de Lula no Congresso.

Raquel não tem apoio eleitoral do presidente, mas evita construir campanha de oposição ao governo federal, destacando parcerias em investimentos durante seu mandato.

Segundo Priscila Lapa, chama atenção a ausência de um palanque estruturado da direita na disputa pelo Governo de Pernambuco, já que o PL optou pela neutralidade, concentrando forças na candidatura de Mendonça ao Senado.

Senado mantém apoios em movimento

A disputa pelo Senado continua reorganizando alianças municipais. Raquel apoia oficialmente Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha, mas partidos de sua base, como Podemos e Novo, também pedem votos para Mendonça Filho.

A saída de Miguel Coelho e do senador Fernando Dueire (PSD) da disputa ao Senado deixou prefeitos sem os candidatos aos quais estavam vinculados, gerando movimentação para redistribuir apoios entre Eduardo da Fonte, Túlio Gadêlha, Humberto Costa e Mendonça.

Segundo as pesquisas Quaest e Datafolha, Marília Arraes lidera a disputa ao Senado, seguida por Humberto Costa e Mendonça Filho, mesmo sem uma rede de prefeitos comparável à de outros candidatos.

Estruturas diferentes para uma eleição competitiva

Raquel chega à campanha amparada pela maioria dos prefeitos e pela estrutura do Governo do Estado. João reuniu coligação mais ampla nacionalmente, tem maior tempo de TV e conta com apoio direto de Lula. Nas pesquisas, Raquel lidera após reverter a vantagem que João mantinha em 2025, com diferença dentro da margem de erro.

*Com informações do Jornal do Commercio.

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