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Coroinha divulga carta aberta e critica fala política de bispo em missa de Natal

O coroinha Leandro Alberto Silva divulgou uma carta aberta dirigida aos católicos em que critica declarações de cunho político feitas pelo bispo Dom Limacedo durante a celebração do Natal. Leandro afirma que a manifestação ocorreu em um momento litúrgico inadequado e causou estranhamento, considerando a experiência e a trajetória do religioso.

Na carta, o coroinha sustenta que a Igreja não deve ser utilizada como espaço de promoção ideológica. Ele ressalta que não se opõe a posicionamentos políticos individuais, mas defende que o altar não é palanque e que a política não é fundamento para a salvação. Leandro relata decepção pessoal, apesar do diálogo prévio que mantém com o bispo.

O autor também cita orientação recente do Papa e o Código de Direito Canônico, no cânon 287, que restringe a participação ativa de clérigos em partidos políticos. Ao final, conclama os fiéis à vigilância, afirmando que nem toda fala de um sacerdote reflete a vontade divina, e reforça que a Igreja deve ser espaço de oração, comunhão e reconciliação.

Carta aberta na íntegra

CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS

Meu nome é Leandro Alberto Silva, sou coroinha do bispo Dom Limacedo na Concatedral Nossa Senhora da Penha, e venho, por meio desta carta aberta, manifestar publicamente minha posição a respeito das recentes falas proferidas por ele durante a celebração do Natal.

Dom Limacedo possui muitos anos de caminhada na Igreja. A idade que tenho corresponde apenas a uma parte de sua vasta experiência, conhecimento e maturidade. Por isso, causa-me profunda estranheza que um homem tão preparado decida abordar política em uma missa de Natal.

Esse equívoco me fez refletir sobre sua autoridade espiritual e também me questionar enquanto servo da Igreja. Não deveríamos nós, católicos, viver sob a lei de Deus antes das leis dos homens? A política pode ser importante para a organização humana, mas não é fundamento para a salvação.

Não me oponho a que cada fiel tenha sua posição política, nem a diálogos sobre o tema; porém, afirmo com clareza: a Igreja não é palanque. O espaço litúrgico não deve ser utilizado para a promoção de ideologias de qualquer tipo. A casa de Deus deve ser respeitada.

Sou aquele que lava as mãos do bispo antes da consagração da Eucaristia. Meu propósito, como coroinha, é auxiliar na propagação da Palavra de Deus — e não da palavra dos homens. Conversamos diversas vezes e tivemos bons diálogos, mas, neste caso, confesso minha profunda decepção.

Recentemente, o próprio Papa recordou que sacerdotes não devem fazer da Igreja um ambiente de militância política. Além disso, o Código de Direito Canônico, promulgado por João Paulo II, orienta no Canon 287, §2:

“Não tomem parte ativa em partidos políticos ou na direção de associações sindicais, a não ser que, a juízo da autoridade eclesiástica competente, o exija a defesa dos direitos da Igreja ou a promoção do bem comum”.

É por isso que reforço: a Igreja é lugar de oração, comunhão, reconciliação e encontro com Deus — não de promoção política. Conclamo meus irmãos católicos a serem vigilantes, pois nem toda palavra proferida por um sacerdote representa a vontade divina.

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