A Polícia Federal desvendou um esquema criminoso que desviou cerca de R$ 40 milhões do programa Farmácia Popular, escancarando a vulnerabilidade do sistema de fiscalização do governo federal. Farmácias de fachada, CPFs forjados e documentos falsos foram usados para fraudar o programa, com o dinheiro público alimentando a cadeia do tráfico de drogas na Bolívia e no Peru.
Enquanto o Ministério da Saúde garante que há filtros e auditorias em tempo real, a realidade mostrou o contrário: em terrenos baldios e imóveis inexistentes, “drogarias” receberam centenas de milhares de reais sem jamais terem funcionado. A falta de controle efetivo permitiu que dados de cidadãos comuns fossem usados em retiradas fantasmas de medicamentos, sem que houvesse qualquer barreira concreta do sistema federal.
A estrutura criminosa envolveu empresas registradas por laranjas, movimentações milionárias e até conexões com facções como o Comando Vermelho. A extensão da fraude evidencia não só o poder das quadrilhas, mas também a negligência do governo federal em proteger um dos principais programas de acesso a medicamentos no país. A ausência de respostas firmes reforça o descrédito na capacidade de gestão pública sobre recursos essenciais.