Mais do que uma grande apreensão, os 128 kg de cocaína confiscados pela Polícia Civil em Floresta expõem o caminho escancarado por onde a droga segue rumo ao Sertão de Pernambuco. A carga milionária, avaliada em R$ 4 milhões, vinha escondida num ônibus com compartimentos clandestinos e reforça o alerta: mesmo com ações pontuais, a estrutura do tráfico permanece em plena operação.
A prisão de um suspeito não encerra o ciclo. A droga não surgiu do nada, nem seguiria viagem sem um esquema robusto por trás. O que falta entender é por que o Sertão continua sendo destino frequente de remessas desse porte, mesmo com investigações em andamento desde o ano passado. O esforço das delegacias especializadas, como a de Petrolina, precisa ser acompanhado de mais inteligência e recursos.
A continuidade das investigações foi anunciada, mas o histórico mostra que enquanto não se estancar a logística por trás do crime, novas cargas seguirão cruzando estradas como a PE-360. O caso não deve ser tratado como fato isolado, mas como parte de um fluxo criminoso que desafia as forças de segurança e escancara a necessidade de uma repressão mais articulada e duradoura.